Arquivo do Autor: Rosangela Brambilla

Livro – Semelhante Cura Semelhante – suporte eBook

Nova edição de livro sobre homeopatia é disponibilizada em formato eBook

Publicado em Saúde por Redação em 22 de julho de 2015

Apesar de ser utilizada há mais de duzentos anos no tratamento de inúmeras enfermidades humanas, a Homeopatia ainda apresenta dificuldades para ser aceita pela sociedade e incorporada aos serviços de saúde de maneira generalizada, fruto de preconceitos que se originam na desinformação e no desconhecimento dos seus princípios e fundamentos. Essa barreira impede que ela possa contribuir, de forma mais efetiva, na minoração de diversos sofrimentos humanos.

Com o intuito de disseminar o conhecimento homeopático de forma ampla, buscando atingir um maior número de indivíduos, em 2013, o professor Marcus Zulian Teixeira da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) passou a disponibilizar seus livros, em formatos digitais, aos interessados no assunto.

Concluindo uma primeira parte deste projeto o professor acaba de disponibilizar,no suporte eBook, a 3ª edição revisada e atualizada do livro Semelhante Cura Semelhante: o princípio de cura homeopático fundamentado pela racionalidade médica e científica.

O intuito da iniciativa é contribuir para o fortalecimento e à ampliação da ciência, da filosofia e da arte de curar homeopática.

Mais informações:
site: www.homeozulian.med.br
email: mzulian@usp.br

Nova edição de livro sobre homeopatia é disponibilizada em formato eBookEditoria: Saúde – Autor: Redação – Data: 22 de julho de 2015
Palavras chave: Ciência, Doença, eBook, FMUSP, Homeopatia. Saúde, Livro, Tratamento

Fonte: http://www5.usp.br/95377/nova-edicao-de-livro-sobre-homeopatia-e-disponibilizada-em-formato-ebook/

 

Homeopatia: funciona ou não?

Homeopatia: funciona ou não?

Artigo publicado na Folha de S.Paulo contesta a validade de um tratamento oferecido a milhares de pessoas no Brasil e no mundo

Shutterstock

A homeopatia é reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 1980

Não é de hoje que a homeopatia é alvo de ataques por parte da mídia e de profissionais de outras especialidades médicas. Seus métodos pouco ortodoxos, baseados na diluição e dinamização de princípios ativos, além da carência de estudos científicos amplos e rigorosos frequentemente colocam a terapia na linha de tiro dos chamados mythbusters ou “caçadores de mitos”: será que ela funciona mesmo ou não passa de charlatanismo?

No último domingo, a Folha de S.Paulo publicou um artigo deHélio Schwartsman1 detonando a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), do Governo Federal, com ataques específicos à homeopatia, acupuntura e à utilização de vitaminas no tratamento de doenças. No caso da homeopatia, o articulista atribuiu seus resultados ao efeito placebo e destacou uma metanálise publicada em 2005 pela revista britânica Lancet que reavaliou 110 testes clínicos e concluiu que não havia diferenças significativas entre os remédios homeopáticos e o placebo.

Em nenhum momentoo articulista considerou a opinião das pessoas que fazem o tratamento. Parece ficar subentendido no texto que os milhares de indivíduos que utilizam a homeopatia estão sendo enganados pelos médicos, pois estariam apenas tomando placebo. Porém, há trabalhos que apontam o contrário. Um exemplo disso é a utilização com sucessodahomeopatiano combate à dengue em Macaé, no Rio de Janeiro.A cidade foi palco de distribuição gratuita de 156 mil doses preventivas de um remédio homeopático para a população.

Esse trabalho ocorreu entre abril e maio de 2007. O remédio, criado pelo médico homeopata e professor da Faculdade de Medicina de Rio Preto, Renan Marino, teria ajudado a diminuir a incidência da doença no primeiro trimestre de 2008, a qual caiu 93% em comparação com o período correspondente ao ano anterior. Enquanto isso, no resto do Estado do Rio de Janeiro houve um aumento de 128% dos casos de dengue. Não seria esse trabalho um motivo suficiente para olharmos a homeopatia de maneira menos dogmática? Para o colunista da Folha não. Segundo ele, após o estudo de 2005 da Lancet, tudo que for feito na área da homeopatia deve ser desconsiderado, pois não há mais nada a ser debatido. O Portal NAMU falou com alguns médicos para saber o que esses profissionais da saúde pensam sobre o artigo.

Aceitação popular

A opinião de Schwartsman foi muito contestada por especialistas da área. Para Ariovaldo Ribeiro Filho, presidente da Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB), é absurdo afirmar que a homeopatia não passa um placebo. “Ninguém fica muito tempo enganando muita gente, a homeopatia existe há mais de 200 anos”, defende o médico.

É o que pensa também o médico Sérgio Furuta, presidente da Associação Paulista de Homeopatia. “No Brasil, a homeopatia é uma especialidade médica, então como médicos, nós sabemos até onde nós podemos tratar com homeopatia e a partir de onde o paciente deve ser tratado pela medicina convencional. Nenhum homeopata é maluco de ficar postergando um tratamento de câncer, por exemplo, prometendo que pode ser curado com homeopatia”, afirma. Na visão domédico Fernando Bignardi, coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp),o modelo de pesquisa precisa ser adaptado ao fenômeno homeopático. “A homeopatia é uma terapêutica informacional, compreensível a luz da atitude acadêmica transdisciplinar, que reconhece a complexidade dos fenômenos e a multidimensionalidade da realidade. A informação da preparação ultradiluída do medicamento homeopático precisa ser compreendida como um organismo vivo, na sua dimensão vital, para que o resultado terapêutico seja alcançado”, explica.

O fim do debate?

No artigo da Folha, a metanálise publicada em 2005 pela revista Lancet é apresentada como conclusiva. Segundo o articulista, após esse estudo teria se tornado evidente que a homeopatia não funciona e ponto final. Essa maneira de tratar a informação, no entanto, é vista como uma aberração por Romeu Carillo Jr., presidente da ABRAH (Associação Brasileira de Reciclagem e Assistência em Homeopatia) e chefe da Clínica de Homeopatia do Hospital do Servidor Público Municipal.

“A ciência não foi criada para comprovar coisa nenhuma, o que ela diz que é certo hoje, diz que é errado amanhã, volta atrás de novo e de novo. A ciência ‘provou’ que a Terra era o centro do Universo, depois que era o Sol, depois que era a Via Láctea. Vivemos em um momento em que a ciência passou a ser vista como um oráculo, mas ela é basicamente pergunta, e não resposta”, afirma ele, lembrando ainda do exemplo da divergência entre Röntgen e J.J. Thomson sobre o modelo atômico. “Primeiro a ciência provou que não existia carga elétrica no raio catódico e dois anos depois, provou que existia”.

“O serviço de homeopatia funciona no Hospital do Servidor Público há 32 anos, uma clínica que atende pacientes todos os dias, da dermato, pneumo, odonto, todas as clínicas. Você acha que se isso fosse uma quimera estaria funcionando há tanto tempo? Eu dou aula na Universidade Federal Fluminense (UFF), tenho um trabalho de pesquisa na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Se nós não tivéssemos resultados, você acha que isso ia acontecer?”, questiona Carillo, que promove anualmente o Congresso Nacional da ABRAH, em que dezenas de trabalhos científicos são apresentados.

A metanálise da Lancet

Marcus Zulian Teixeira, médico homeopata e professor da Universidade de São Paulo (USP), conta que o estudo de 2005 tem problemas gravíssimos, que já foram inclusive alvo de dezenas de artigos contestando os métodos utilizados. “Essa metanálise foi uma tentativa de desbancar o material publicado pela mesma Lancet em 1997, que analisou mais de cem artigos e mostrou que a homeopatia era 2.45 vezes mais eficaz que o placebo. Foi um grande furor no meio científico”, conta.

Em 2005, um grupo liderado pelo chinês Shang se propôs a fazer uma nova metanálise comparando os resultados de 110 ensaios homeopáticos com outros 110 alopáticos. Ambos demonstraram números superiores ao placebo. No entanto, segundo Teixeira, foi adotada uma metodologia diferente da proposta inicial para comparar diretamente homeopatia e alopatia, o que desvirtuou completamente os resultados.

“Na homeopatia existe um pressuposto chamado individualização. Dez pacientes com o mesmo tipo de doença podem receber remédios diferentes uns dos outros. A individualização homeopática valoriza a totalidade do indivíduo, então você escolhe um remédio específico para cada indivíduo.Você não dá o mesmo remédio para todo mundo que tem a mesma doença, como a alopatia faz. Isso é uma premissa do modelo homeopático. Se você não leva isso em consideração, comete um grande erro epistemológico. Esses estudos com grande número de pacientes que estão na literatura, que foram feitos por alopatas pouco esclarecidos, não levam tais fatores em consideração”, explica o médico.

Resposta aos artigos de Hélio Schwartsman contrários à Homeopatia Publicados Recentemente na Folha de São Paulo

 Prezados Colegas Homeopatas e Amigos,

Apesar do jornal, Folha de São Paulo,  ter recusado um direito de resposta digno e proporcional às colocações preconceituosas recentes do articulista Hélio Schwartsman contra a Homeopatia, o teor das suas declarações sensibilizou outras mídias que permitiram a divulgação de perspectivas diversas sobre a “eficácia da homeopatia” e o “efeito placebo”.

Dentre estas, cito abaixo duas matérias publicadas pelo Portal Namu, de excelente qualidade e apresentação, incluindo links para trabalhos científicos que contrapõe os argumentos pseudocientíficos do  – filósofo -, aspecto impriscindível para levar o verdadeiro conhecimento aos leitores pouco esclarecidos (este material está sendo encaminhado ao Jornal):

– “Homeopatia: funciona ou não?”: http://www.namu.com.br/materias/homeopatia-funciona-ou-nao

– “O fenômeno placebo-nocebo na medicina”: http://www.namu.com.br/artigos/o-fenomeno-placebo-nocebo-na-medicina

Insisto na necessidade de buscarmos ocupar os meios de divulgação existentes todas as vezes que a Homeopatia for alvo de críticas infundadas, esclarecendo a população sobre as premissas do modelo homeopático e as evidências científicas que o respaldam, pois  – o preconceito é filho da ignorância -. Tenho isto como uma premissa, uma obrigação e um dever para com a – arte de curar homeopática -, que utilizo e usufruo na minha prática médica diária.

Atenciosamente,

Marcus Zulian Teixeira
www.homeozulian.med.br
www.novosmedicamentoshomeopaticos.com

Conflitos de interesses na pesquisa, na educação e na prática médica – Inst. Nacional de Saúde (EUA)

Conflitos de interesses na pesquisa, na educação e na prática médica – Instituto Nacional de Saúde – EUA

Conflict of Interest in Medical Research, Education, and Practice. Edited by Bernard Lo and Marilyn J Field. Institute of Medicine (USA) Committee on Conflict of Interest in Medical Research, Education, and Practice. Washington (DC): National Academies Press (USA); 2009.

Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK22942/

Resumo

Os pacientes e a sociedade se beneficiam quando os médicos e pesquisadores colaboram com laboratórios farmacêuticos, indústrias de equipamentos médicos e empresas de biotecnologia para desenvolver produtos que auxiliam os indivíduos e a saúde pública. No entanto, são crescentes as preocupações em relação aos indevidos e amplos laços financeiros da classe médica com a indústria farmacêutica, que podem influenciar decisões profissionais envolvendo os interesses primários e os objetivos da medicina. Tais conflitos de interesses ameaçam a integridade das investigações científicas, a objetividade da educação profissional, a qualidade do atendimento ao paciente e a confiança do público na medicina.

O Instituto de Medicina (IM) dos EUA tem um Comitê (“Committee on Conflict of Interest in Medical Research, Education, and Practice”) que analisa os conflitos de interesses na pesquisa, na educação e na prática médica, incluindo aqueles que ocorrem no desenvolvimento das diretrizes (protocolos ou guidelines) de prática clínica. Este Comitê revisa a evidência disponível sobre a extensão das relações das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os médicos, pesquisadores e as suas consequências, descrevendo e sugerindo políticas e medidas destinadas a identificar, limitar ou gerenciar os conflitos de interesses. Embora este relatório seja fundamentado nas análises e recomendações de outros grupos, ele difere dos demais relatórios por enfocar os conflitos de interesses em todo o espectro da medicina e na identificação de princípios globais que permitam avaliar tanto os conflitos de interesse quanto sugerir políticas de controle dos mesmos. O relatório, que oferece 16 recomendações específicas, tem várias mensagens gerais:

  • O objetivo central das políticas de identificação e controle dos conflitos de interesses em medicina é o de proteger a integridade do julgamento profissional e preservar a confiança pública, ao invés de tentar corrigir o viés ou desconfiança depois que ele ocorre.
  • A divulgação das relações financeiras individuais e institucionais é um primeiro passo importante, mas limitado no processo de identificar e responder aos conflitos de interesses.
  • Procedimentos e medidas restritivas aos conflitos de interesses podem ser reforçados, envolvendo médicos, pesquisadores e instituições médicas no desenvolvimento de políticas e normas de consenso.
  • Uma gama de organizações de apoio – incluindo grupos acreditados e seguradoras de saúde públicas e privadas – pode promover a adoção e implementação de políticas de controle de conflitos de interesses e promover uma cultura de responsabilidade que sustenta as normas profissionais e a confiança do público na medicina.
  • Pesquisas sobre conflitos de interesses podem fornecer uma base de evidência mais forte para a concepção e implantação de políticas de controle dos mesmos.
  • Se instituições médicas não agem voluntariamente para fortalecer suas políticas e procedimentos de controle de conflitos de interesses, a pressão de regulação externa é normalmente aumentada.

Médicos e pesquisadores devem exercer julgamento em situações complexas que são repletas de incerteza. Colegas, pacientes, estudantes e o público precisam confiar que essas decisões não são comprometidas por laços financeiros dos médicos ou dos pesquisadores com indústrias de equipamentos médicos, laboratórios farmacêuticos e empresas de biotecnologia.

Pesquisas mostram a amplitude e a diversidade das relações entre essas indústrias e os médicos, pesquisadores e educadores em ambientes acadêmicos e na comunidade. Por exemplo:

  • Presentes de companhias farmacêuticas para médicos são constantes;
  • Visitas aos consultórios médicos por representantes dos laboratórios e de empresas de equipamentos médicos, com o fornecimento de amostras de drogas são amplamente difundidas;
  • Muitos membros do corpo docente das faculdades de medicina recebem suporte de pesquisa da indústria, e a indústria patrocina a maioria da pesquisa biomédica nos EUA;
  • Muitos membros do corpo docente das faculdades e da comunidade médica fornecem serviços de consultoria científica, de marketing e de outros tipos para as empresas e laboratórios farmacêuticos; alguns trabalham em conselhos de administração ou em departamentos de palestrantes das indústrias;
  • Fontes comerciais fornecem cerca de metade do total do financiamento para programas credenciados de educação médica continuada.

Embora algumas dessas relações financeiras possam ser construtivas, relatos recentes, acordos legais, estudos de pesquisa e anúncios institucionais documentaram uma variedade de situações perturbadoras, que podem minar a confiança do público na medicina. Estas situações incluem:

  • Médicos e pesquisadores não divulgam os recebimentos financeiros substanciais que recebem das indústrias e laboratórios farmacêuticos, tal como exigido por universidades, agências governamentais ou revistas médicas;
  • Acordos de empresas farmacêuticas com o Departamento de Justiça dos EUA para evitar acusações que alegam pagamentos ilegais ou presentes para médicos e equipamentos médicos;
  • Empresas e pesquisadores acadêmicos não publicam resultados negativos de ensaios clínicos patrocinados pela indústria ou publicam em atraso, além de um ano após a conclusão da análise;
  • Pesquisadores acadêmicos incluem seus nomes em manuscritos, mesmo que eles tenham se envolvido com o estudo após os dados serem recolhidos e analisados, e após os primeiros esboços terem sido escritos por indivíduos pagos pela indústria;
  • Sociedades de profissionais e outros grupos que desenvolvem diretrizes (protocolos ou guidelines) de prática clínica não divulgam os financiamentos recebidos da indústria e não revelam os conflitos de interesses dos peritos que elaboraram as diretrizes.

Embora as causas destas situações perturbadoras sejam diversas e sua extensão não seja clara, elas destacam as tensões que possam existir das relações financeiras com a indústria e com os objetivos primários da pesquisa, da educação e da prática médica. Além dos exemplos acima, pesquisas sobre os presentes da indústria e outras relações financeiras têm gerado resultados problemáticos. Por exemplo, as revisões sistemáticas das evidências científicas patrocinadas por uma empresa farmacêutica apresentam maior probabilidade de apresentar conclusões favoráveis à empresa do que outras revisões, mesmo quando os resultados reais da análise não são favoráveis. Além disso, os artigos com base em ensaios clínicos patrocinados pela empresa são mais propensos a tirar conclusões favoráveis ao produto da empresa do que ensaios de artigos não patrocinados pela indústria. Embora esses achados não mostrem necessariamente que a pesquisa é tendenciosa e outras explicações possam ser oferecidas (por exemplo, as empresas não financiam testes, a menos que vejam uma probabilidade razoável de sucesso), levantam questões legítimas sobre a possível influência indevida.

Para citar outro exemplo, a disponibilidade de amostras de drogas pode estar associada à prescrição de medicamentos com novos nomes comerciais, quando eles não são recomendados por diretrizes de prática baseada em evidências ou quando drogas apropriadas e menos caras (ou equivalentes genéricos) estão disponíveis para a mesma indicação. Apesar de um argumento para o uso de amostras de drogas seja que elas ajudam os pacientes de baixa renda, a pesquisa sugere que estes indivíduos não são os destinatários principais de tais amostras. Além disso, embora pequenos presentes aos médicos possam parecer inconsequentes, algumas pesquisas sugerem que pequenos presentes podem contribuir para a formação de um viés inconsciente na tomada de decisões e na adoção de conselhos. É também improvável que as empresas dariam tais presentes aos médicos se elas não acreditassem que iriam beneficiar a empresa de alguma forma.

Além das informações que geram preocupações sobre o alcance e as consequências dos laços financeiros da indústria na medicina, pesquisas e outros estudos têm relatado inconsistências na adoção e implantação de políticas de controle de conflitos de interesses por instituições médicas. Relações e práticas que são proibidas por uma instituição podem ser permitidas e até incentivadas por outras. Relatórios também têm descrito as deficiências na supervisão dos conflitos de interesses na pesquisa por agências federais reguladoras e instituições médicas.

Infelizmente, as evidências científicas relevantes entre as relações financeiras e os conflitos de interesses são limitadas. Em muitos tópicos relacionados aos conflitos de interesses, não existem estudos sistemáticos disponíveis. Para outros tópicos, os dados são sugestivos, ao invés de trazerem uma análise definitiva. Os estudos que têm sido realizados, principalmente, são observacionais, ao invés de intervencionistas, em grande parte porque não se pode investigar as questões relacionadas aos efeitos dos diferentes tipos de relacionamentos ou abordagens com os conflitos de interesses através de estudos randomizados e controlados. Certo número de centros médicos acadêmicos, associações de profissionais e outras instituições têm tomado medidas para fortalecer suas políticas de controle de conflitos de interesses, mas poucos dados que poderiam ser usados para avaliar as consequências destas alterações – positivas ou negativas – estão disponíveis.

Além disso, proeminentes médicos e pesquisadores têm argumentado que as preocupações sobre os conflitos de interesses são muito desproporcionais perante as evidências de que eles existam ou sejam prejudiciais, e alguns afirmam que as medidas destinadas a conter os conflitos de interesses têm interferido nas colaborações benéficas com a indústria. Os críticos das políticas de controle dos conflitos de interesses também têm reclamado de que a grande maioria dos indivíduos que não agiram de maneira antiética possa estar sujeita a regulamentos onerosos e conclusões tácitas que os culpam de má conduta, até que provem o contrário.

Essas e outras considerações sobre o conflito de interesses na medicina estão detalhadamente descritas, analisadas e embasadas cientificamente na ampla revisão geral citada inicialmente, disponibilizada livremente a todos os interessados.

Inúmeras pesquisas recentes reiteram esses conflitos de interesses na pesquisa, na educação e na prática médica, tanto de forma generalizada quanto em áreas específicas da medicina, como exemplificado abaixo:

Conflicts of interest: part 1: Reconnecting the dots–reinterpreting industry-physician relations (N Engl J Med 2015)

Outcome reporting among drug trials registered in ClinicalTrials.gov (Ann Intern Med 2010)

Conflicts of interest at medical journals: the influence of industry-supported randomized trials on journal impact factors and revenue – cohort study (PLoS Med 2010)

Reporting of conflicts of interest in meta-analyses of trials of pharmacological treatments (JAMA 2011)

Perceptions of conflict of interest disclosures among peer reviewers (PLoS One 2011).

Reporting of conflicts of interest from drug trials in Cochrane reviews: cross sectional study (BMJ 2012)

Com esse breve resumo, sem nos aprofundarmos no assunto, temos o intuito de relatar, de forma científica e imparcial, os diferentes conflitos de interesses existentes na pesquisa, na educação e na prática médica convencional, alertando os leitores para analisarem criteriosamente as críticas, as propagandas, as reportagens e as pesquisas contrárias a outras terapêuticas médicas não convencionais (por exemplo, homeopatia e acupuntura) que contrariam os interesses econômicos das indústrias farmacêuticas, pois elas podem ter sido idealizadas com o intuito espúrio de denegrir estas abordagens terapêuticas seculares, exemplificando outro tipo de conflitos de interesses além dos acima descritos.

Atenciosamente,

Marcus Zulian Teixeira

 

Fonte: http://www.homeozulian.med.br/homeozulian_visualizarinteressegeral.asp?id=62

O fenômeno placebo-nocebo na medicina

O fenômeno placebo-nocebo na medicina

O sucesso do tratamento varia conforme o paciente e envolve mecanismos psíquicos, neurológicos e fisiológicos

David Goehring / Flickr: CarbonNYC [in SF!] /CC BY 2.0

Um aspecto do placebo-nocebo é a expectativa consciente dos pacientes sobre sua melhora de saúde

Apesar de o efeito placebo (nocebo) ser desacreditado por muitas pessoas, ele é uma realidade observada em toda prática terapêutica, pois seus mecanismos psiconeurofisiológicos são estudados e descritos na literatura médica. Por ter relação uma intrínseca ao cuidado médico, ele deveria ser conhecido por todos os colegas que se dedicam à prática e à pesquisa clínica. Assim, eu e alguns pesquisadores nos aprofundamos no estudo desse fenômeno1,2,3,5 e reproduzimos a seguir uma síntese de seus aspectos fundamentais publicados na revista ComCiência4

Em qualquer tratamento farmacológico, os efeitos terapêuticos se relacionam com dois tipos de fatores: os específicos (dose, duração, via de administração, farmacodinâmica, farmacocinética, interações medicamentosas etc.) e os não específicos (história e evolução natural da doença, regressão à média, aspectos socioambientais, variabilidade inter e intra-individual, desejo de melhora, expectativas e crenças no tratamento, relação médico-paciente, características não farmacológicas do medicamento etc.). O fenômeno placebo-nocebo faz parte desses últimos e é atribuído à expectativa, ou desejo, de melhora associado à relação médico-paciente, aspecto mais importante segundo as pesquisas recentes.

Os termos placebo e nocebo vem do latim. O primeiro origina-se de “placeo”, “placere”, que significaagradar, enquanto o segundo, “noce”, “nocere”, refere-se a infligir dano. De forma generalizada, entende-se o efeito ou resposta placebo como a melhoria dos sintomas e/ou funções fisiológicas do organismo em resposta a fatores supostamente não específicos e aparentemente inertes (sugestão verbal ou visual, comprimidos sem princípio ativo, injeção de soro fisiológico, cirurgia fictícia etc.) com atribuição ao simbolismo que o tratamento exerce na esperança de cura do paciente. O efeito noceboé o oposto: a expectativa por um resultado negativo pode conduzir ao agravamento de um sintoma ou doença. Exemplos naturais de efeito nocebo são observados no impacto de diagnósticos negativos e na desconfiança do paciente pela equipe médica ou por algum tipo tratamento, com seus mecanismos psiconeurofisiológicos estudados de forma análoga ao efeito placebo.

Com a introdução sistemática dos ensaios clínicos placebos-controlados, considerados padrão-ouro para avaliar a eficácia dos tratamentos, relatos frequentes de mudanças clínicas significativas nos grupos placebo demonstraram que a intervenção placebo pode causar efeitos consideráveis em diversas condições clínicas. Revisões sistemáticas de ensaios clínicos placebos-controlados evidenciaram a resposta placebo (percentual de melhora) em diversas doenças, como em doença de Crohn (19%), síndrome da fadiga crônica (20%), síndrome do intestino irritável (40%), colite ulcerativa (27%), depressão maior (30%), mania (31%), enxaqueca (21%), entre outras.

Os diversos fatores envolvidos na relação entre médico-paciente que influenciam a expectativa do paciente por uma melhora ou piora, desde o acolhimento até as declarações específicas feitas pelo terapeuta, podem desencadear efeitos significativos no desfecho de qualquer tratamento, seja ele farmacológico ou não, com alteração na atividade de determinadas regiões cerebrais e na liberação de neurotransmissores específicos.

Mecanismos psicoindutores do fenômeno placebo-nocebo

Entre os mecanismos psicoindutores do efeito placebo, o condicionamento inconsciente tem relação com a resposta placebo, que surge após a exposição repetida do indivíduo às associações de sugestões sensoriais neurais (características do comprimido, tipo de terapêutica, ambiente do consultório etc.) com intervenções de tratamento efetivas (resposta placebo/analgésica observada após a indicação de comprimidos inertes semelhantes aos efeitos da morfina administrada previamente). Segundo um paradigma estritamente behaviorista (pavloviano), as sugestões sensoriais neurais podem extrair de forma automática e isolada, após a intervenção placebo, uma resposta semelhante ao tratamento efetivo. Desse modo, o condicionamento inconsciente estaria relacionado ao fato de que os pacientes, pela percepção visceral ou somática, são capazes de monitorar rapidamente as flutuações no estado dos órgãos internos (feedback sensorial), com resposta placebo proporcional ao grau de abrangência de tal percepção. De forma semelhante, o efeito nocebo seria consequência do condicionamento inconsciente prévio por experiências negativas, como pacientes sensíveis ao perfume de flores manifestarem sintomas alérgicos quando expostos a flores artificiais.

Outro importante mecanismo psicoindutor do fenômeno placebo-nocebo é a expectativa conscientedos pacientes nas perspectivas de melhora ou piora clínicas, a qual pode ser incrementada pelas sugestões verbais que acompanham o tratamento. Um modelo experimental tem avaliado o impacto clínico das expectativas positiva e negativa isoladamente, revelando ou ocultando ao paciente a administração ou a suspensão do tratamento melhor indicado (open-hidden paradigm). Nesse contexto, estudos evidenciam que um mesmo tratamento mostra-se mais efetivo quando é revelado(open) do que quando é ocultado (hidden) ao paciente, indicação de que a expectativa positiva desempenha um papel crucial na resposta terapêutica (efeito placebo).

Se considerarmos que o desfecho clínico secundário a um tratamento não revelado (hidden)representa o efeito específico do tratamento em si, livre de qualquer contaminação psicológica, o resultado de um tratamento revelado (open) representa a somatória dos efeitos específicos e não específicos. A diferença entre essas abordagens é o componente placebo, embora nenhum placebo tenha sido administrado. De forma análoga, a expectativa negativa é avaliada com a revelação ou a ocultação da suspensão do tratamento indicado, mostrando que o grupo que sabia da interrupção apresentou piora dos sintomas (efeito nocebo) de forma mais intensa e antecipada do que o outro grupo. Apesar dos defensores de um ou outro mecanismo, o condicionamento inconsciente e aexpectativa consciente se complementam a se amplificam na modulação placebo-nocebo.

Mecanismos psiconeurofisiológicos do fenômeno placebo-nocebo

Existem estudos que descrevem os mecanismos psiconeurofisiológicos envolvidos no processo placebo-nocebo ao mapear áreas cerebrais responsáveis pelo fenômeno por meio de tomografia por emissão de pósitrons (PET) e ressonância nuclear magnética funcional (RNMf). A resposta placebo/analgésica tem como mediadores os endorfinas (peptídeos opioides endógenos), que atuam nos sítios dos receptores da morfina (opioides exógenos) distribuídos em regiões cerebrais específicas, como o tronco encefálico, o tálamo e a medula espinhal. Nos mecanismos moduladores da analgesia placebo observa-se que a melhora da dor (expectativa positiva) estimula o córtex pré-frontal (dorsolateral, medial e orbitofrontal) e o sistema opióide do tronco encefálico, áreas responsáveis pela modulação da dor emocional.

Em relação ao efeito nocebo hiperálgico, a percepção da intensidade do estímulo doloroso é amplificada após uma piora da dor (expectativa negativa), com aumento na atividade de diversas regiões cerebrais (córtex pré-frontal orbitofrontal, córtex cingulado anterior e córtex insular anterior). Sugestões verbais negativas induzem ansiedade antecipatória sobre o provável aumento da dor (hiperalgesia nocebo), o que ativa o sistema colecistoquinérgico facilitador da transmissão dolorosa e diminui a atividade dos opioides endógenos.

Em resposta às injeções placebo de solução salina em pacientes portadores de doença de Parkinson, estudos demonstram a liberação de quantidades significativas de dopamina endógena no estriado dorsal, com melhoras clínicas evidentes. Observa-se também que a expectativa positiva relacionada à antecipação do benefício terapêutico e acompanhada pela liberação da dopamina pode ser um fenômeno comum ao efeito placebo em qualquer distúrbio clínico placebo-responsivo.

Em casos de depressão, a resposta placebo apresenta um padrão metabólico similar ao dos antidepressivos (fluoxetina, por exemplo), o que é evidenciado no aumento da liberação do neurotransmissor serotonina no córtex pré-frontal, cíngulo anterior, córtex parietal, ínsula posterior e cíngulo posterior, além da diminuição de sua metabolização no cíngulo subgenual, para-hipocampo e tálamo. De forma análoga aos fenômenos dolorosos, a expectativa negativa desperta o efeito nocebo, o que piora a evolução clínica da doença de Parkinson e da depressão. Em todos os exemplos citados, o condicionamento inconsciente amplifica as respostas placebo e nocebo.

No entanto, pelos resultados apresentados, não temos como generalizar uma suposta especificidade e magnitude do fenômeno placebo-nocebo. Os efeitos da intervenção placebo-nocebo diferem-se caso a caso e envolvem diferentes mecanismos psiconeurofisiológicos e respectivas áreas cerebrais conforme sensibilidade individual, tipo de sintoma ou doença, informação transmitida ao paciente, expectativa (associada ou não à sugestão verbal), experiências prévias do paciente com as diversas situações e tratamentos (condicionamento inconsciente).

Referências

1. TEIXEIRA, M. Z. Ensaio clínico quali-quantitativo para avaliar a eficácia e a efetividade do tratamento homeopático individualizado na rinite alérgica perene. 2009. Tese. (Doutorado em Medicina). Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo 2009.

2. ______. Bases psiconeurofisiológicas do fenômeno placebo-nocebo: evidências científicas que valorizam a humanização da relação médico-paciente. AMB rev. Assoc. Med. Bras., v. 55, n. 1, p. 13-18, 2009.

3. TEIXEIRA M. Z.; GUEDES, C. H.; BARRETO, P. V. et al. The placebo effect and homeopathy.Homeopathy, v. 99, n. 2, p. 119-129, 2010.

4. TEIXEIRA, M. Z. Fenômeno placebo-nocebo: evidências psiconeurofisiológicas. ComCiência[online], n. 153, p. 1-4, 2013.

5. TEIXEIRA, M. Z.; GUEDES, C. H. F. F.; BARRETO, P. V. et al. El efecto placebo y la homeopatía.Rev. med. homeopat., v. 7, n. 3, p. 119-130, 2014.